A nova Ciberarte

A sexta edição da Ciberarte, publicada no final de 2008, ganhou um projeto gráfico completamente novo, mais limpo, organizado e dinâmico. O novo design aposta em um tipo de navegação simples, objetiva e acessível, com uma interface preemptiva, que diminui a quantidade de clicks para chegar ao conteúdo desejado.

Na sexta edição da Ciberarte você poderá acompanhar o som dos fluidos, a música para poucos, os espaços coletivos e esquecidos, o lesbianismo nos quadrinhos, o admirável mundo novo, a recusa da guerra, o capitalismo infernal de Wall Street e o entulho planetário habitado pelas baratas…

capa da ciberarte nº06

Google Buzz, da euforia aos problemas de privacidade

O Buzz foi uma das maiores e mais ousadas jogadas do Google nos últimos tempos. A disputa entre as redes sociais é maior do que nunca e apesar do sucesso do Orkut no Brasil em termos mundiais a rede ainda perde para o MySpace e o Facebook, o último com mais de 300 milhões de usuários registrados, o triplo do Orkut. E com o rápido crescimento das ferramentas de microblogging como o Twitter, já estava na hora do Google lançar algo de peso. O Jaiku, uma ferramenta de microblogging comprada pela empresa no final de 2007 nunca deslanchou e com esse nome será difícil se popularizar no Brasil. Então, em um lance de mestre o Google decidiu jogar todos os usuários do Gmail em uma grande rede social com seus contatos particulares compartilhados! E apesar de admirar a ousadia deles, não quer dizer que eu concordo com a “artimanha” que bolaram para dar o pontapé inicial a essa nova rede social que é na verdade uma união de várias outras ferramentas da empresa, entre elas o Wave.

De acordo com Todd Jackson, Gerente de Produtos do Gmail, dezenas de milhões já estão utilizando o Buzz, e não é de se admirar, já que eles utilizaram uma técnica análoga à Microsoft, empresa que tanto criticam por embutir um browser em seu sistema operacional e assim alavancar sua popularidade. O Buzz foi mais ou menos assim, jogado na frente de todas as pessoas que tinham Gmail. Um grande splash prometendo uma nova era de interatividade bem ali na caixa de entrada do seu webmail. Até aí, tudo bem, um pouco intrusivo, mas esse não era o maior problema. O que levantou críticas até mesmo dos adoradores do grande G foi que toda a lista de contatos do seu Gtalk e Google Reader, as pessoas com quem você costuma trocar mensagens e interagir individualmente foram automaticamente adicionadas como seus contatos em uma rede social que parece um hibrido de Wave, Twitter, Facebook e FriendFeed. Alguns ainda defenderam o Google e falaram que rede social aberta é assim mesmo e todos podem ver o contato de todos. Mas imagine a seguinte situação: O Sr. Silva trabalha em uma companhia de papéis como vendedor. O mercado é extremamente competitivo e nem mesmo os seus colegas de trabalho podem saber com quem ele troca e-mails. Além disso, o Sr. Silva tem uma amante com quem troca e-mails e apesar de deletar periodicamente todas as mensagens o contato da moça foi automaticamente incluído em sua lista do Gmail. Era uma grande amiga de sua mulher, até que ele virou objeto de disputa entre elas e a vencedora, extremamente ciumenta, o obrigou a cortar relações com a moça, com quem ele supostamente não tem mais contatos há mais de cinco anos, como acredita sua mulher.

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No dia 9 de fevereiro pela manhã, ainda sonolento, o Sr. Silva entra em sua conta do Gmail e descobre que foi um dos “selecionados” para experimentar essa nova ferramenta chamada Buzz. Apesar de não ser nenhum geek o Sr. Silva é um aficionado pelas ferramentas do Google, em quem ele confia. Então o Sr Silva lê apenas o título “New! Google Buzz in Gmail. No setup needed” e nem presta atenção no resto do texto do splash em letras menores. Se fosse mais cuidadoso teria percebido entre outras coisas o texto “You’re already following the people you email and chat with the most in Gmail.”. Impaciente para testar a nova ferramenta o Sr Silva simplesmente clica no botão azul lá no final, com texto grande: “Sweet! Check out Buzz” e entra no ambiente. A primeira coisa que vê é um resumo dos seus contatos, o texto “Welcome to Buzz” e um botãozinho “Okay”. Clica no botão e começa a conversar e publicar seus “buzzes”. Silva vai demorar um pouco para perceber que qualquer um pode clicar em seu nome, ver o seu perfil, incluindo todos os seus contatos do Gtalk e respectivos e-mails. Fácil assim.

Muito bem, esse foi o primeiro cenário que se desenhou e gerou uma avalanche de protestos, pois a única forma de manter privada a sua lista de contatos do Gmail era nebulosa demais. Você deveria entrar em seu profile no Google, editar suas preferências e desmarcar um checkbox com o aviso “Display the list of people I’m following and people following me”. Uma operação um pouco complicada para a maioria dos usuários. Felizmente a enxurrada de reclamações forçou a empresa a tomar certas medidas que acabou freando o crescimento vertiginoso do número de contatos dos usuários do Buzz, mas tornou as coisas menos obscuras para os usuários menos desavisados. Dois dias após o lançamento a empresa publicou o post “Millions of Buzz users, and improvements based on your feedback” em seu blog oficial, informando algumas mudanças que tornariam mais claro o processo para proteger a privacidade dos usuários. Ainda assim os usuários não estavam satisfeitos e no dia 13 de fevereiro o Google publicou um novo aviso informando mudanças ainda mais significativas. Em “A new Buzz start-up experience based on your feedback” o gerente de produtos da empresa apresentou novas telas que mostravam claramente ao usuário que os seus contatos provenientes do Gtalk e também do Google Reader eram automaticamente sugeridos para serem seus contatos do Buzz e para isso bastava que ele apertasse um botão após fazer uma seleção dos contatos desejados.

É importante lembrar que essas mudanças foram feitas apenas depois que um grande número – e arrisco dizer a maioria – de usuários do Gmail já havia avidamente clicado no botão “Sweet! Check out Buzz” entre os dias 9 e 11 de fevereiro. Talvez o Google tivesse previsto todo esse alvoroço, mas sabia que a disseminação do Buzz valia o preço das críticas e depois trabalharia para atender aos feedbacks dos usuários. O fato é que, ao contrário do Wave, que foi amplamente divulgado e já está caindo no esquecimento, parece que agora o Google acertou a mão. Felizmente as coisas são bem rápidas nesse meio e logo saberemos se a euforia inicial irá permanecer. Nesse meio tempo, se ninguém alertar o Sr. Silva, ele provavelmente continuará com sua lista de contatos aberta até que sua mulher descubra com quem ele troca e-mails ou o seu concorrente consiga os e-mails dos seu principais clientes.

Update: O site Mashable mostra como o Buzz já alterou as regras do jogo e passou o Twitter em número de usuários.

Oficina: A internet como suporte e divulgação do trabalho artístico

imagem-animadaAs universidades brasileiras estão ligadas através da rede mundial de computadores desde 1989. A partir de abril de 1995, o Ministério das Comunicações e o Ministério da Ciência e Tecnologia decidiram liderar um esforço comum na implantação de uma rede integrada entre instituições acadêmicas e comerciais. Em 1999 poucas pessoas utilizavam a internet no Brasil. O novo canal de comunicação ainda era considerado por muitos um passatempo para os nerds ou apenas um canal de comunicação para troca de e-mails. As empresas faziam seus sites simplesmente para não ficar de fora e utilizavam a rede como se fosse um análogo aos panfletos impressos.

Em 1999, poucos artistas antenados publicavam seus portfolios na web e alguns já utilizavam a grande rede mundial dos computadores como suporte em potencial para a sua arte. A net art, webart ou cyberart, o tipo de arte que utiliza como suporte a internet, começou a se popularizar no fim da década de 90, com projetos que se tornaram referências no meio, como as web-instalações Superbad, Jodi e Entropy8. A arte que utiliza a internet tem influências diversas, que vão do dadaísmo a arte conceitual, Fluxus, pop art e arte cinética.

Mas, muito mais que um suporte, a Internet é uma poderosa ferramenta de divulgação com suas mídias sociais como o Flickr, um portal mundial de fotografia; o Vimeo, um refinado canal para publicações de vídeos artísticos; o Tumblr e o Twitter, duas ferramentas em rápida expansão para a publicação de microblogs.

Vinte anos se passaram desde que a internet chegou ao Brasil e hoje cabe ao artista conhecer e explorar todos esses canais e ferramentas tecnológicas para divulgar seu trabalho a um público cada vez mais especializado e interativo, que não encontra na TV e nos impressos, mídias estáticas, o tipo de trabalho refinado que ele procura.

E como descobrir e explorar todos esses canais de comunicação e interatividade?

4 encontros : SEXTAS das 15h ás 17h

1º Encontro – 21/08/09 Contexto histórico: porque a internet foi criada e como ela funciona. Comparação com outras mídias e popularização do seu uso no Brasil. Como explorar as possibilidades oferecidas pela grande rede global de computadores e o que reserva o futuro?

2º Encontro – 28/08/09 Explorando as mídias Sociais: blogs, microblogs (Twitter), wikis, bookmarks sociais (Delicious), compartilhamento de fotos (Flickr) e vídeos (Vimeo).

3º Encontro – 04/09/2009 Web art: origens (mail art, fax, telefone, scanner, TV, etc.) e precursores (Superbad, Jodi, Entropy8); a produção brasileira e eventos no Brasil (FILE, Prêmio Sergio Motta, Itaú Cultural, 24ª Bienal de São Paulo).

4º Encontro – 11/09/2009 Estudos de caso:
k10k.net e cpluv.com: arte e design, portais de webdesign;
modernista.com: a exploração das mídias sociais em um não-site;
pdf-mags.com: uma central de revistas de arte e design em PDF;
bornmagazine.org: um site experimental unindo literatura e arte interativa.

Aleph Ozuas é Bacharel em Letras Inglês e mestre em Teoria Literária pela UFSC. Trabalha com desenvolvimento para web desde 1998 e em 2000 criou o site Ciberarte, com exposições virtuais e ensaios sobre literatura e artes visuais.
Valor da Oficina: R$ 150,00

centro cultural arquipélago
de terça a sábado, das 16h às 20h
rua idalina pereira dos santos, 81 . agronômica
88025-500 . florianópolis . sc . [48] 3024 5066
arquipelago.art@gmail.com

Teste a velocidade da sua conexão

Velocidade da ConexãoSpeedtest.net e Testegvt.tk são duas ferramentas para testar a velocidade da sua conexão. A segunda é da GVT, mas para ter certeza da imparcialidade basta utilizar também a primeira, que oferece muitos outros recursos, como a possibilidade de escolher um servidor para conexão e também a emissão de uma imagem em PNG com os resultados do teste. Como a imagem acima, com os resultados da minha conexão.

The Pirate Bay e a revolução do copyright

[one-half-first][/one-half-first]The Pirate BayA maioria das pessoas não entende muito bem o que “pirataria on-line” significa. Claro, elas vêem as campanhas no cinema dizendo a elas que as cópias piratas têm baixa qualidade e são uma infração das leis de direitos autorais. Ninguém imagina que você poderia levar uma filmadora ao cinema para gravar o filme sentado em sua poltrona e depois venderia cópias do mesmo. Mas esse tipo de ação já faz parte da vida moderna e está se tornando cada vez mais comum. Você ficaria surpreso ao saber que pode encontrar cópias completas, em qualidade de DVD, dos maiores sucessos do cinema até mesmo semanas antes do lançamento no circuito oficial. Você pode baixar quase qualquer álbum de música que já ouviu na vida, grátis e em qualidade até mesmo superior ao CD. Você pode jogar qualquer game, para qualquer plataforma já desenhada, grátis. Assistir shows de TV, ler livros, utilizar qualquer programa de computador e por aí vai. Mas é claro, baixar todas essas coisas é ilegal. Até agora.

[one-half][/one-half]Enquanto digito este post, o maior processo contra pirataria de todos os tempos está em andamento na Suécia. The Pirate Bay (TPB), o maior site para download de conteúdo do planeta, foi levado aos tribunais pelas maiores companhias de entretenimento, incluindo a Warner Bros. O que o TPB fez para provocar Hollywood? Eles construíram um site do qual se orgulham, capaz de indexar uma quantidade surpreendente de downloads legais e ilegais espalhados pela internet. O site fornece links diretos para torrents, um tipo de arquivo peer-to-peer que fica armazenado no computador de uma pessoa. Com um único click você pode baixar o arquivo e ao mesmo tempo compartilhá-lo com o resto da internet. Dessa forma o arquivo pode ser baixado muito mais rapidamente, pois cada novo indivíduo é um novo nó na rede, que baixa e disponibiliza ao mesmo tempo. E o TPB é acusado de infringimento às leis de direitos autorais por facilitar esse processo de troca.

O processo transformou-se em um espetáculo com a ajuda dos ávidos seguidores do site. No momento um “Ônibus Pirata” encontra-se em frente à corte; festas ocorrem toda noite; bloggers escrevem furiosamente; o Twitter está pegando fogo a medida que toda e qualquer discussão é traduzida em tempo real em várias línguas espalhadas pela internet. Feeds ao vivo com áudio e vídeo do processo; feeds para o Twitter e para blogs estão criando o maior tumulto jamais visto na internet. E como sempre ocorre nesses casos, o processo acabou trazendo ainda mais popularidade para o TPB, em grande parte devido a um crescente sentimento de solidariedade entre a “geração download”. Existe até mesmo um filme — Roube Este Filme — sobre o movimento “anti-copyright” disponível para baixar na rede (de graça, é claro).

A razão de tanto barulho com o assunto é simples: Se o TPB ganhar esta batalha, estamos mais próximos de um mundo livre de direitos autorais (copyright). É o poder nas mãos do povo novamente, na revolução do copyright.

* No espírito de compartilhar informações, resolvi transcriar este post em inglês sobre o assunto, já que é praticamente o que eu penso sobre o caso. E longa vida ao TPB!!

Update: traduzi o cartoon crítico do quadrinhista neozelandes Dylan Horrocks, sem copyright, e publiquei no Bruxismo, meu outro blog

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A humanização da Internet

O Mozilla Labs lançou um novo plugin para Firefox chamado “Ubiquity”, algo como “Onipresença” em português. O nome um tanto hiperbólico do experimento é justificado quando você descobre o que a versão 0.1 já é capaz e fazer. A proposta do sistema é tornar mais humanos os comandos quando você navega na web e assim agilizar ações e processos, permitindo que operações antes trabalhosas, como anexar um mapa de localização do Google Maps a um e-mail, seja possível com certa agilidade.

Por exemplo: você ativa o programinha com o comando Ctrl+barra de espaço e digita este comando na caixa de entrada que surge: “translate ubiquity from english to portuguese” e tem a tradução da palavra automaticamente, sem precisar acessar nenhum site de tradução. Ok, essa ficou um pouco longa, mas que tal pesquisar algum termo na Wikipedia? Basta acessar o plugin (sempre com o comando Ctrl+barra de espaço) e digitar algo como “w mozilla” e o resultado aparece automaticamente. E se você digitar “w mozilla” e a tecla Enter em seguida, será direcionado para o termo na Wikipedia.

Outro comando legal é esse do mapa, que citei no primeiro parágrafo. Digamos que você resolveu aproveitar o sábado ensolarado para remar na Lagoa do Peri. O pessoal já está lá embaixo esperando no carro, com os caiaques no rack, impacientes, mas você precisa avisar o seu amigo paulista que não conhece Floripa onde fica a lagoa. Nos velhos tempos você acessava o Google Maps; procurava a localização; ampliava a imagem; fazia um print screen da tela; abria o seu programa de manipulação de imagens; editava a tela com o mapa; salvava e anexava ao e-mail, ufa… A essa hora o pessoal já foi embora sem esperar por você. Com Ubiquity, basta escrever o e-mail rapidinho com a mensagem: “encontre-me na Lagoa do Peri”, selecione o nome do local, acesse o plugin e digite “map”. E voilá, o mapa com a localização da Lagoa aparece, você clica nele para ampliar e no link “Insert map in page” para incluir em seu e-mail. Muito mais rápido que o processo tradicional e também mais acessível para quem não tem muita intimidade com as ferramentas gráficas.

Como observado nos exemplos acima, os comandos ainda devem ser todos em inglês, mas à medida que o sistema se populariza devem surgir traduções para outras línguas, incluindo o português, além de novas funcionalidades e correções de possíveis bugs. Para saber mais sobre o Ubiquity, visite a página do experimento no Mozilla Labs; veja o vídeo tutorial no Vimeo e leia o tutorial no Mozilla Wiki.

O que é um CMS?

Costumo falar com freqüência sobre os CMSs no 11pixels, mas muitas pessoas ainda não sabem muito bem o que eles são. Os CMSs (content management system), algo como sistemas de gerenciamento de conteúdo em português, são softwares que ficam hospedados em seu servidor e podem ser acessados pelo seu computador pessoal conectado a Internet. Estes gerenciadores servem para administrar o conteúdo do seu site, simplificando tarefas simples, como acrescentar ou editar uma página ou funcionalidade do site, como uma seção de notícias ou galeria de imagens. Depois que você acessa o sistema e salva as inclusões ou modificações em seu site, o conteúdo é publicado automaticamente na Web.

Quando você não utiliza um CMS, precisa de um programa de edição WYSIWYG para editar o seu HTML ou então de um programa como o Notepad++ para editar o código na unha, se for um usuário mais avançado. Além disso, quando precisar fazer uma alteração em todas as páginas do site, precisará alterar uma por uma ou, na melhor das hipóteses, utilizar algum comando (uma macro ou action) que altere todas ao mesmo tempo no programa que está utilizando para editar seu website. Depois disso, ainda precisará fazer o upload de todos os arquivos alterados, tornando todo o processo muito mais trabalhoso. Se você utilizar um CMS, nada disso será necessário e o processo ficará bem mais dinâmico, pois todas as alterações são feitas online e entram em funcionamento automaticamente, depois de efetuadas. A maioria desses sistemas utiliza templates (ou temas) customizáveis que serão a parte visual do seu site. Dessa forma, você tem um template para cada seção específica e também templates para blocos do site, como o menu de navegação, o rodapé e o cabeçalho. Então, se precisar colocar alguma informação no rodapé do seu site, em todas as páginas ao mesmo tempo, basta alterar um único arquivo e voilá, todas as centenas de páginas do seu site serão alteradas ao mesmo tempo.

Normalmente os sistemas que indico no 11pixels constroem as páginas dinamicamente quando acessados por um visitante, através do uso da linguagem de programação PHP e do banco de dados MySQL. Esta combinação de tecnologia é a mais difundida atualmente, mas também existem sistemas que trabalham com outras linguagens como o Perl ou o Python. Além disso, existem sistemas que funcionam com conteúdo estático no servidor, páginas que não são construídas dinamicamente cada vez que são acessadas, mas sim uma única vez, quando o administrador do site cadastra um novo conteúdo, gerando páginas estáticas com terminação HTML ou PHP. Normalmente quem defende esta abordagem tem o bom argumento de que desta forma o processador do servidor onde está hospedado o website não fica sobrecarregado, pois não precisa trabalhar com ações como acessos ao banco de dados e processamento PHP cada vez que a página é acessada. Mas para contornar este problema das páginas dinâmicas (que pode até causar o bloqueio da sua conta pelo seu administrador se o seu CMS não for bem otimizado) existem plugins que criam páginas estáticas e caches do conteúdo do seu site no servidor, diminuindo assim o poder de processamento. Em defesa das páginas dinâmicas também está a agilidade para atualizar seu website, que não precisa ser completamente reconstruído cada vez que é feita uma atualização estrutural.

Além de utilizar mais os sistemas dinâmicos baseados em PHP/MySQL, tenho uma preferência pelos sistemas de código aberto e gratuitos (que são duas coisas diferentes). Acredito no software livre e não tenho grana para investir em um sistema robusto, que pode ser muito caro. Gosto também da maneira colaborativa como os problemas são resolvidos e os sistemas aperfeiçoados nas comunidades de código aberto. Não concordo com a idéia de sistemas pagos e proprietários, mas acho que cada um tem a liberdade para acreditar no que quiser e trabalhar da forma como melhor lhe convêm. E sei que existem ótimos sistemas pagos no mercado, com ótimos profissionais trabalhando em torno deles para torná-los sistemas de ponta. Um bom exemplo é o Expression Engine, que também oferece uma opção grátis com menos funcionalidades que a versão paga. A vantagem de um sistema pago é que você geralmente tem direito a suporte técnico e não precisa ficar fuçando os fóruns de discussão para encontrar as respostas para sua dúvida. Se você tem pouco tempo e algum dinheiro para desembolsar, pode ser uma boa opção.

Listo abaixo os 11 CMSs que considero os mais importantes atualmente, a maioria de código aberto e rodando em ambiente LAMP (Linux, Apache, MySQL e PHP). São sistemas variados e muito diferentes entre si, alguns próprios para sites pequenos, outros originalmente desenvolvidos para blogs e alguns potentes o suficiente para administrar mega-portais. Nos próximos posts, vou falar sobre cada um desses sistemas. Minha experiência com cada um deles, seus prós e contras.

CMS Made Simple
Drupal
WordPress
Textpattern
sNews
Typo3
Typolight
Joomla
SilverStripe
ExpressionEngine
Movable Type

Domínio “.com.br” liberado para pessoa física

Finalmente o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), órgão criado pelo governo em 2003 para coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços Internet no país, decidiu liberar o registro de domínios “.com.br” para pessoas físicas, bastando a utilização do CPF. É uma mudança muito aguardada para todos que trabalham com web e para os internautas brasileiros em geral. Até ontem, só empresas com CNPJ podiam registrar os domínios “.com.br”, que é a terminação mais procurada e difundida na web, não apenas por estabelecimentos comerciais, como sugere a terminação, mas também por pessoas físicas ou projetos sem fins comerciais. Devido a esse empecilho, muitos optavam por registrar um domínio internacional “.com”, já que lá fora essa burocracia nunca existiu. Dessa forma são as empresas estrangeiras que lucram e esses sites deixam de constar na relação de domínios brasileiros, fazendo com que os números não representam a proporção real de site brasileiros. É bem provável que essa liberação incentive uma corrida ao registro de domínios nos próximos dias. Por isso, se você ainda não havia registrado seu domínio por não ter uma empresa, melhor reservar o seu através de uma visita ao Registro.br.

Para registrar seu domínio, além do seu endereço completo e do CPF, precisa também de um host para hospedá-lo. Se você não deseja fazer o seu website agora, mas apenas garantir seu domínio antes que um espertinho pegue, existem algumas alternativas. Uma delas é contratar uma “reserva de domínio” que muitas empresas de hospedagem oferecem, por valores médios de R$50,00 anuais. Mas se você não quiser desembolsar nada além da anuidade do registro.br, que é de R$30,00, basta utilizar um ótimo serviço grátis chamado DNS Park. Lá você se cadastra e gera os DNSs necessários para registrar seu domínio. Tem ainda a opção de redirecionar o seu site para seu blog hospedado no Blogspot ou no WordPress, por exemplo. Assim você tem o seu site, com domínio personalizado, pagando apenas R$30,00 ao ano, não é uma maravilha?

Logomarcas parecidas

Está cada vez mais difícil criar logomarcas originais. Outro dia me deparei com a logomarca do Portal Nacional de Tecnologia Assistiva, que me lembrou muito a logomarca do Ubuntu, uma distribuição do Linux. Mas as coincidências não param por aí e lembrei de outras logomarcas “inspiradas” por esta idéia de pessoas conectadas, de sinergia, como por exemplo, a logomarca da empresa FastCompany e do site da Cultura em Rede. Por último, mas um pouco menos óbvia é a logomarca do CMS Joomla! Todas estas logomarcas invocam a idéia de união entre pessoas, de comunidades, talvez de raças diferentes, mas unidas em torno de idéias em comum. Assim como em outros casos de logomarcas parecidas, não dá pra culpar uma de ter sido copiado da outra já que a idéia não é muito nova e é até mesmo óbvia, como naquelas logomarcas de oficinas mecânicas, que utilizam o desenho de um carro formando as letras da marca. Não estou dizendo que isto possa invalidar o poder das marcas, mas pode sim enfraquecer a originalidade das mesmas.

Mesmo não sendo especialista no assunto, acho que vale dar uma olhada em cada uma dessas marcas para ver qual delas teve mais sucesso na utilização da idéia de pessoas unidas. No caso da logomarca do Ubuntu, o próprio nome do produto ajuda a reforçar a idéia de união, já que deriva de um conceito sul-africano que significa algo como “sou o que sou pelo que nós somos”. Além disso, a logomarca é mais estilizada e a utilização de cores é mais sóbria. No caso da FastCompany, percebemos que é a única em que as cabeças das pessoas estão inclinadas para dentro do círculo, o que reforça a idéia de reunião. Para reforçar este conceito, o slogan da empresa é “Join de Business conversation”. As logomarcas do site Cultura em Rede e do Portal Nacional de Tecnologia Assistiva não são tão trabalhadas e a primeira comete o erro, na minha opinião, de converter uma das cabeças na letra “C” de Cultura, caindo em uma solução um pouco simplista de aproveitamento forçado de uma imagem para formar uma letra. A mesma história do carrinho na logomarca da oficina mecânica. Por último, temos a logomarca do CMS Joomla! (a exclamação faz parte do nome), que é levemente diferente. Aqui vemos as pessoas com os braços entrelaçados, reforçando ainda mais a idéia de união. Assim como o Ubuntu, o nome aqui também tem um significado pertinente. No idioma banto suaíli, joomla significa “todos juntos” ou “como um todo”.

É importante lembrar que estou fazendo aqui apenas uma análise diletante das logomarcas, não dos projetos aos quais pertencem. E alguns desses projetos são de extremo valor, como o sistema operacional Ubuntu, o CMS Open source Joomla!, ou então o Portal Nacional de Tecnologia Assistiva, que trabalha para a inclusão de pessoas com deficiência.

Rápidas no reino dos Blogs e CMSs

logo-wordpressDepois de dois atrasos no lançamento do WordPress 2.5, que estava novamente previsto para ser lançado ontem, a Automattic finalmente disponibilizou o WordPress 2.5 RC (release candidate) no seu blog oficial. Como eu já havia conferido em uma versão baixada no Trac, e pessoalmente não gostei, o backend foi completamente redesenhado e o sistema conta com algumas melhorias que podem ser conferidas neste post.

logo-drupallogo-joomlaO Drupal e o Joomla são considerados os dois principais CMSs open source do momento e a comunidade de ambos vive trocando farpas. O site All Drupal Themes publicou os resultados da comparação de desempenho entre as últimas versões de cada um (Joomla 1.5 & Drupal 6.1). Parece que o Drupal ganhou disparado, vale a pena conferir.

logo-movabletypeE falando em farpas, o pessoal da Movable Type e do WordPress estão se pegando nos últimos dias. Tudo começou com um post publicado no blog da Movable Type com o título “Movable Type: A WordPress 2.5 Upgrade Guide” onde o autor sugeria a mudança para o sistema MT ao invés de fazer upgrade para a nova versão do WP, que parece não ter agradado a todos. O pessoal da Moveble Type, que se converteu para open source há 9 meses atrás (too late) resolveu jogar pesado e acabou despertando a indignação dos desenvolvedores do WP. Matt Mullenweg, um dos desenvolvedores fundadores do WordPress, respondeu muito bem a provocação.

logo-textpatternE para quem busca outras opções de Blog/CMS, vale a pela conferir o Textpattern, que apesar de ter uma comunidade bem menor e ser um sistema pouco atualizado, é muito prático e eficiente para quem procura por uma solução simples e sem muitas frescuras, que possa ser utilizada tanto como ferramenta de blog, como também CMS out of the box. A última versão do sistema, lançada dia 3 de fevereiro, é a 4.0.6

Modernista! is not for everyone

logo modernistaQuando você clicar no link da Modernista! vai achar que ocorreu algum bug no carregamento da página, mas então surge uma mensagem bem ao lado do pequeno menu vermelho, na parte superior esquerda do monitor: “Don’t be alarmed. You are on the new Modernista! site. Feel free to browse using the menu to the left. Have fun!” Passando o mouse por “wrk” você tem acesso ao portfolio da agência separado em 3 categorias: print, TV e web que utilizam respectivamente o Flickr, o YouTube e o del.icio.us para apresentar os trabalhos da agência. Quando você visita o site digitando o endereço diretamente no navegador a Wikipedia também é utilizada, mostrando o artigo que fala sobre a Modernista!

Sim, é um conceito pioneiro de navegação e utilização de recursos. Afinal, para que pagar por um servidor potente para hospedar suas imagens e principalmente seus vídeos, se estes serviços já existem gratuitamente na rede? E o melhor, cada um deles é visitado e utilizado por uma comunidade especializada e ávida por novidades, que utilizam suas respectivas ferramentas de busca quando querem encontrar algo. Assim, a agência multiplica as possibilidades de ser encontrada e de divulgar o seu trabalho através destas ferramentas, que já são marcas conhecidas e consagradas. Mas também é uma abordagem ousada e pode até espantar clientes menos descolados, mas como a própria agência deixa claro no ab.ou.t: Modernista! não é para todos!